sexta-feira, 17 de setembro de 2010

letras-fora

preferiria que não houvesse a palavra
pouparia papel, retina , língua
o verbo sairia da ordem do dia

a desfaçatez não seria representada
os fingimentos, sublimados

a poesia teria a real forma
um cheiro de gente
ineditamente humana - real !
talhada no sorriso,
             abraço,
             e certeza

os sonetos perderiam o talco
nasceriam dos toques, dos olhares
e das lágrimas

ensaios aboliriam as gomas
desceriam dos púlpitos
e far-se-iam de ternura e compaixão

e dessa primitice,
nova era seria de absoluta humaninande,
em nada primitivo

dignos aqueles que de imensa alma
prescindirão das palavras

será assim ... a nossa prometida terra
a novidade,
a definitiva redenção,
o tempo do gesto !