quinta-feira, 15 de julho de 2010

imediata

acreditar
talvez isso mova a humanidade

é, o apego a qualquer objeto
o que seja revertido n'algo
o que pra essa gente é chamado de crença

nela, residirão as alternativas
os humores
as possibilidades

talvez menos contidas
mais desesperadas
sempre reais!

observando, sem a solenidade dos analistas
me entrego à genialidade do humanos
e nela me envolvo à sua credulidade
compartilho e a acirro
pretenciosamente

disposto, valorizo o agora
por tudo que ele traduz
bem menos pelo que posiibilita

adianto,
receio a recusa
traduzo nos versos o humor
almejo arte

e por ela, acredito no meu verbo!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

partidotempo

eu peço passagem pra seguir
encontrar o que adiei
me embrenhar por onde temi
refazer o que soneguei

não mandarei notícias
nem lembrem que parti
toquem tudo adiante

por lá cuidarei das chagas
cultivar-las-ei, se couber
mas eu bem sei que é inútil mantê-as

e, de caminho são, levantarei
 cantando,
 voltando !

domingo, 11 de julho de 2010

regresso

o corpo já pesa, exausto
o sono me joga pra o verbo
e instigado, forjo um verso qualquer

o olho que varou a madrugada
não viu teu rosto
e lamentou
só não conseguiu chorar
o contentamento pelo esperar
desfazia o ensaio de melancolia

refeito, me jogarei na rede
colocarei a janela entreaberta
e de certo levantarei com o melhor sorriso

e esse é por te lembrar!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Superlativo


Logo mais o dia de Oxalá despontará nos céus do Brasil

E eu, na mais brasileira devoção, vestirei branco
Na minha, ainda,  limitada ciência dessa fé
me devotarei ao dono dos versos que forjaram
o espírito da minha juventude, e por certo, o de toda a vida

Farei a minha celebração mui particular pela ascenção do Poetinha aos céus

Acordarei,
abrirei as janelas,
tentarei ver e ouvir de perto o mar,
e partirei para as encruzilhadas da vida
levando este coração imprescindivelmente apaixonado

Daí, com toda a graça,
levarei os pesares do dia com serenidade
para que assim que a jornada for cumprida,
oferecer ao meu corpo o delírio etílico que o Poeta merece

Saravá !

Carta ao Tom 74
(Vinícius e Toquinho)



O Haver
Vinícius

segunda-feira, 5 de julho de 2010

retalhadamente

Múltiplo
Assim que me vejo,
com todas as falhas e
agruras cotidianas ... Múltiplo!

Miliduas facetas por segundo
jogado na alucinante espiral dos dias, Múltiplo

Sem aguardar concessões
transito por entre as minhas formas
conservando-as em um estado de disposta impertinência
orbito entre algoz e vítima sem qualquer pudor
cada vez mais errante e, por isso, mais humano

Sentimental, excessivo e expansivo
livre o suficiente pra avançar e retroceder
dado o balanço da maré

Não anseeis me decifrar, é inútil !

Saber de mim ?
Fita o meu agir,
Aprecia o meu excesso
Entorpeça com minha infinda paixão,
não perca tempo!

Segure na minha mão
e me ensine qualquer canção
me deixe expressar

Assim, sem véus e máscaras
me verás e serei o q vês
Cale e me deixe ...

sorrir 
até chorar
bradar
afagar
sentir
gozar

E sem esperar, 
tu verás minhas cores
juntas
desenhando o real
lambendo as tuas retinas
afagando-as

saberás que sou mais um aprendiz
tentado a fazer algo de valor,
que justifique o pulsar da vida
e que ao apego da fé
se atreve à felicidade
e consegue !

sábado, 3 de julho de 2010

vidasabor

o dia é marcado pelo que afeta
por aquilo que marca o pensar,
pontua a canção
e põe gosto na língua.

certo d'outro sabor
mais leve
sinto as horas derreterem
e no calor da minha boca
adoçarem o meu penar

de olhos bem abertos,
ainda um tanto salgados
mas de beiços armados, sorrindo
piso a morna terra do meu lugar

nada será como imaginei
mas ainda assim, eu sei que será

estou vivo, e assim permaneço

viver sem pretensão é morte !

o terceiro

aquele ritual era dispensável
nada ousaria interferir
e, sorrateiro invade os domínios de Teresa
habilmente a deflora
e se derramaria junto a ela por todas as outras noites

calado, quase nunca esboçava um ar sóbrio
seja pelo uísuque ou pela lavanda de teresa
envergava a aparência entorpecida

de nada precisaria, já se tinham
e isso o bastava

dali nunca saíram 
dias a fio se descobriam
e se entregavam

ousaram arder a vida juntos

até o fim