segunda-feira, 10 de novembro de 2008

fato!

cada passo é registrado pacientemente e guardado sabe-se lá onde ... firmes no caminhar conduz a vida tal qual a luz conduz a relva, a selva, as mantém, concede o sopro restante para que vivam e nos façam viver

os olhos firmes, fixos nalgum ponto, traduzem lindeza que transcende à retina e ao nobre lugar-comum da beleza interior, por que quanto mais humano e errante eu te perceba tu apareces em matizes mais fortes, quentes e reais ... a vida não carece de perfeição !

por natureza desteme-se de tudo, até de si

a cada amanhecer se revela e eu na mais decidida entrega me redescubro nas esporádicas lágrimas e no disposto suor ... e nada mais parecerá como antes !

é realidade?!

é felicidade!

fato!

sábado, 8 de novembro de 2008

refeito ...

É ... basta ter vontade, basta tão somente a verdadeira intenção em querer fazê-lo e naturalmente tudo, tudo mesmo, conspira pra que sejamos contemplados ... se bem que contemplado não reflita necessariamente o que por hora nos virá ...

Embora disposto a entender e superar um momento de desconforto, o que pensamos é revelado em nossas palavras e quando não, nos nossos olhares ...

e assim foi, transtornado pela descabida atitude que tivera não pude retroceder e evitá-la, era necessária a falha, o desgaste circunstancial e a discórdia, para que rasgássemos o véu que cobria a última barreira ...

e ali, juntando as últimas peças compreendendo atonitamente o que ouvira me vi bem mais forte e menos ansioso, afinal naquele momento iniciava um novo ciclo... ele apenas iniciava e aprendo a caminhar com um novo ar ...

e ouvia com os olhos rasos as mais fortes palavras que havia ...

é tempo de se refazer!

"(...) Que a subida mais escarpada e mais à mercê dos ventos é sorrir de alegria.E que por isso que era aquilo que menos tinha cabido dentro dela: a delicadeza infinita da alegria ... "
Clarice Lispector

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Colheita ...

Semeamos cotidianamente o nosso caminho ... lá jogamos as mais escolhidas sementes elas caem dos nossos bolsos ao acolher um querido, ao misturar as nossas lágrimas com a do amigo, ao tentar purgar aquele pesar ou até mesmo compartilhar bons e gelados copos de cerveja conversando as mais sinceras esperanças de um mundo melhor ...

E assim vamos indo!
Os dias, meses e anos se passam e a nossa semeadura continua a atravessando o tempo alheio e lançando ingenuamente o que temos de melhor ou pior ...

Desta feita, a terra há de ser fértil sempre e as estações maturam e fazem explodir de vida os vistosos caroços de carinho, afeto, tristeza, inveja e esperança. Entretanto alguns embora germinados "golam" e murcham, já os nobres pujantemente se levantam e oportunamente mostram as ramas de flores e frutos nos convidando à colheita ...

Colhamos pois, é nosso o fruto e é nosso o dever de sorver cada pedaço do apreço, e afeto dedicados mas é imprescindível que separemos as novas sementes ponhamos nos bolsos e continuemos indefinidamente atravessando o tempo alheio ...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Os ventos que vêm de lá ...

eu acho interessante esses penduricalhos que são postos nas portas ou nas janelas e
ao murmurar dos ventos eles se balançam e espalham sons agudos pela casa ...

eles de alguma forma nos dizem algo ... e a gente só se prende ao tilintar que vem da janela ...

os ventos que vem de lá tem um balanço bonito ... os cristais do mensageiro se bolem e bailam pra dizer o quão macios são os ventos que vêm de lá ...

eles passam pelo meu cômodo, deixam o barulhinho gostoso e se vão ... tilintar outros cômodos, carregar velas, rodar cata-ventos, levar chuva, refrescar calores ...

os ventos que vêm de lá, pra lá voltarão

mas por aqui sempre, invariavelmente retornarão e cá estarei eu para vê-los balançar o mensageiro e me ninarem com o seu tilintado.